“Nas
Ligas o foco principal é o atleta, respeitando
os valores técnicos, morais e filosóficos do
Jaí o crescimento vertiginoso das Ligas no Brasil.”
(Paulo Dubois – Presidente da LNJ)
Atleta, árbitro,
professor e dirigente de judô, Professor Paulo
Dubois, atual Presidente da Liga Nacional de
Judô,
é taxativo em relação à importância das Ligas
de Judô para o Brasil. Segundo o Professor Paulo
Dubois, hoje, as Ligas
representam o que existe de mais puro e digno
no Judô nacional, pois é formada por dirigentes,
professores, árbitros e atletas de reconhecida
importância para este esporte.
Confira a seguir a íntegra da entrevista que
Paulo Dubois concedeu ao Portal Judô Xique-Xique:
ENTREVISTA COM O PROFESSOR PAULO DUBOIS,
PRESIDENTE DA LIGA NACIONAL DE JUDÔ
PJUXX - Como começou a carreira de judoca? Algum
motivo especial para a escolha do judô como
esporte? Conte-nos a sua história.
Paulo Dubois - Nasci em Salvador e até os 9 anos de idade morei em
Jaguaquara, no Sudoeste da Bahia. Meu pai, faixa
marrom quando universitário em Salvador, nos
anos 50, praticou judô sob a orientação do Prof.
Geraldo Mota, um dos precursores desse esporte
na capital baiana. Seu entusiasmo pelo nosso
esporte o levou a estimular os seus filhos a
praticá-lo. Apenas eu o adotei como a principal
meta da minha vida. São quase três décadas de
aprendizado, pois, a cada dia, continuo aprendendo
e convencido de que preciso aprender ainda muito
mais.
PJUXX - Conte um pouco da sua trajetória antes de chegar à Presidência
da Liga Nacional de Judô.
Paulo Dubois - Em 1978 minha família mudou-se para Brasília.
Aqui comecei os meus treinamentos no Colégio
Santa Dorotéia. No ano seguinte (1979) já treinava
com o meu Sensei, Prof. Ismar. Aos 15 anos,
faixa marrom, já dava aulas de judô para crianças
na Academia do Ismar e em algumas escolas. Aos
17 anos alcancei a Faixa Preta – 1º Dan.
Nesta época, comecei a participar da Federação Metropolitana de Judô
(FEMEJU) como atleta e a trabalhar como mesário
e “carregador de tatames” (função que exerço
até hoje, na Liga...). Tive o privilégio de
conviver com importantes mestres do Judô nacional
e internacional tais como Ninomyia (“Pai do
Judô no DF”), Matsuuchi, Haguihara, Koki Tani,
Miura, Júlio Adnet, José Inácio, Luciano Sampaio,
Nafez Abud entre tantos outros que muito influenciaram
minha formação como atleta, árbitro, professor
e dirigente. Na FEMEJU exerci quase todos os
cargos eletivos ou por nomeação. Só não fui
Tesoureiro. Fui vice-presidente da Federação
Regional do Desporto Escolar do Distrito Federal
(2000 / 2004). No ano 2000 coordenei o “Movimento
pela Ética no Esporte” no DF.
Como atleta conquistei alguns títulos no Distrito Federal e um vice
campeonato brasileiro zonal (Centro-Oeste).
Disputei um Campeonato Brasileiro Júnior pelo
DF em 1988, em Aracaju – SE. Fui para a “repescagem”,
mas uma forte lesão tirou-me do Evento.
Como árbitro atuei em dezenas de eventos nacionais e em algumas competições
internacionais.
Em 2004, ao lado de dezenas de grandes mestres, participei da fundação
da Liga de Judô do Distrito Federal e do Entorno
– LJDFE, sendo eleito Presidente da nova entidade.
Em novembro de 2005, atendendo aos colegas presidentes
das ligas regionais, fui eleito Presidente da
Liga Nacional de Judô.
PJUXX - O que significa para o Senhor estar ocupando a presidência
da Liga Nacional de Judô?
Paulo Dubois - É uma função de extrema responsabilidade. Afinal,
representa o sistema das ligas de judô no País.
É formada por dirigentes, professores, árbitros
e atletas de reconhecida importância para este
esporte. Tem um significado especial. Este grupo
de notáveis “Shihans” representa o que existe
de mais puro e digno no Judô nacional.
PJUXX - O que a Liga Nacional e as Ligas Estaduais podem trazer
de bom e novo para o judô brasileiro?
Paulo Dubois - Nas Ligas o foco principal é o atleta, respeitando
os valores técnicos, morais e filosóficos do
Judô. Daí o crescimento vertiginoso das Ligas
no Brasil. Foi praticamente espontânea a sua
eclosão. O Esporte ansiava por idéias renovadoras,
ações participativas, inclusão de todas as classes
sociais na sua prática.
PJUXX - O Senhor acha que os judocas pertencentes às Ligas poderão
participar de seletivas para Olimpíadas e Pan?
Paulo Dubois - Fatalmente isso ocorrerá. A Constituição Brasileira
e a legislação esportiva em vigor asseguram
esse direito. Buscaremos o diálogo e esperamos
o bom senso. O judô brasileiro já se encontra
por demais vilipendiado pelos desentendimentos
por questões menores. Não hesitaremos em buscar
a justiça para garantir aos nossos atletas os
seus direitos, se for necessário.
PJUXX - Como o Senhor avalia hoje o judô brasileiro?
Paulo Dubois - É indiscutível o peso do judô brasileiro. Entretanto,
por ser um dos países com o maior número de
praticantes no mundo, deveria estar muito melhor
posicionado no ranking mundial. Nós, do sistema
de Ligas, trabalhamos o “judô de base”. Acreditamos
num trabalho que vise o “judô integral” como
uma filosofia de vida e a melhora do nível competitivo
como parte integrante desse processo.
PJUXX - O que você ainda almeja para as Ligas de Judô?
Paulo Dubois - Quando assumimos a LNJ fazíamos um Campeonato Brasileiro
e uma Copa Sul-Americana reunindo todas as categorias.
Aprovamos para 2007 o fracionamento do Campeonato
Brasileiro em duas etapas e instituímos os Campeonatos
Brasileiros Regionais. Realizamos o primeiro
“kangueiko” nacional em Brasília no ano de 2006
e agora vamos para o segundo em Garanhuns –
PE. Realizamos o primeiro Seminário Nacional
de Arbitragem no ano de 2006, em Brasília, e
neste ano (2007) Aracaju – SE sediará o segundo.
Está incluído no Calendário de 2007 um curso
nacional de “kime-no-kata” e outro de Defesa
Pessoal para as polícias.
Tínhamos sete ligas regionais. Após um ano e meio conseguimos dobrar
esse número e, até o final do nosso mandato,
pretendemos fundar mais cinco Ligas Regionais
e representações da LNJ nos Estados que ainda
não as possuem. Temos um imenso potencial de
crescimento pois o espaço para o Judô que acreditamos
e defendemos é promissor.
PJUXX - Em uma entrevista, Aurélio Miguel disse o seguinte sobre
as ligas: -“ São
importantes desde que existam para somar. Sou
contra a divisão de frentes e esse cabo-de-guerra.
Foi mais ou menos o que ocorreu no caratê. De
tantos rachas e entidades paralelas criadas,
não conseguem nem estar em Olimpíada”, alertou.
O Senhor acha que isso pode acontecer com o
judô brasileiro?
Paulo Dubois - O campeão agora conhece os objetivos da LNJ.
Acho que ele tenha amadurecido algumas opiniões
depois de conhecer a Entidade. Sou dos que acreditam
que o respeito à Constituição Brasileira, o
direito ao livre associativismo e aos demais
termos da legislação específica têm de ser respeitados.
PJUXX - Por que um número expressivo de renomados professores
com graduação de Kodansha apóiam as Ligas de
Judô?
Paulo Dubois - Temos em nosso meio professores reconhecidos
e respeitados internacionalmente, educadores
de notório saber e reconhecida competência,
árbitros com incontestável padrão de excelência
e dirigentes imbuídos do mais nobre ideal. O
apoio desses notáveis amantes do Judô se constitui
no seu mais forte sustentáculo e representa
a prova incontestável do valor da instituição
e da confiabilidade que ela impõe.
PJUXX - No próximo dia 27 acontecerá o Brasileiro Norte/Nordeste
de Judô em Barreiras, no interior da Bahia.
Poderemos contar com a sua presença?
Paulo Dubois - Se Deus permitir, voltarei no próximo dia 27
de abril, com o maior prazer, a minha amada
Bahia para esse que será um dos mais brilhantes
eventos das Ligas no País e a inauguração do
já vitorioso Calendário de 2007.
PJUXX - A Liga Baiana de Judô (LIBAJU) vem se destacando cada vez
mais devido ao seu compromisso em desenvolver
o verdadeiro judô, aquele no qual o Mestre Jigoro
Kano idealizou e passou aos seus discípulos.
O que o Senhor espera da Liga Baiana de Judô?
Paulo Dubois - A LIBAJU é uma maravilhosa realidade nacional.
Tão jovem e tão pujante! Uma Liga forte, plena
de idealismo, cheia de luz, fazendo justiça,
trazendo progresso
e alavancando o Judô baiano. O trabalho que
o Prof. Barbosa e a sua aguerrida equipe realizam
é absolutamente profissional. São totalmente
identificados com a filosofia do sistema nacional
das Ligas de Judô. Espero, ou melhor, tenho
plena confiança na continuidade do elevado padrão
de excelência que está sendo desenvolvido.
PJUXX - Deixe um recado para todos aqueles que vão ler a sua entrevista
em nosso site.
Paulo Dubois - Aproveito o “recado” que me é permitido dar,
ao final desta entrevista, para conclamar a
todos aqueles que praticam, difundem e admiram
a nossa modalidade esportiva para que ofereçam
todo apoio às iniciativas que visem o seu fortalecimento.
Nos dias atuais, mais do que nunca, é preciso
que o judô se firme como um agente contra a
violência, transformando-se no apanágio da paz
e do entendimento. Assim procedendo, estaremos
fazendo a nossa parte para que o Brasil venha
a ocupar o seu legítimo posto na comunidade
judoística universal.
O
Portal Judô Xique-Xique agradece de coração
ao Profº Paulo Dubois.